25

Você sabe que está com 25 quando...

1: começa a comprar (e ganhar) aqueles cremes anti-idade que aparecem na TV...

 

(continua...

ajudem-me!)



Escrito por Ana Amalia às 03h12
[] [envie esta mensagem] []



Livro do Rato

http://livroeuevoces.blogspot.com/

Esse é o link do livro que meu irmão escreveu: um relato das vivências do passado com e das pessoas que marcaram a vida dele de alguma forma.

Pessoas importantes ao ponto dele querer reforçar o contato.

E escrever sobre elas.



Escrito por Ana Amalia às 13h02
[] [envie esta mensagem] []



Lévi-Strauss por Caetano

"A palavra "estruturalismo" estava aparecendo em textos de jornais e em conversas. Eu vagamente sabia que o nome de Lévi-Strauss estava ligado a ela.
Abri o livro com uma curiosidade moderada. E fui tomado de um interesse intenso a partir das primeiras frases. "Tristes Trópicos" me arrebatou. Eu era fã de Sartre. Nunca esperei que uma inteligência de ordem tão diferente, mesmo antagônica, se impusesse com tanta rapidez sobre meu espírito.
O estilo (eu nunca tinha lido Proust) também me impressionou: a calma dos parágrafos longos e entremeados de observações secundárias que só lhe aumentavam a clareza era educativa, agradável e elegante.
Mas foi a visão do Brasil que apareceu ali que esquentou meu coração.
Um pessimismo relativo à civilização brasileira (mitigado pela bela passagem sobre a USP, em que "num claro instante" pode tornar-se possível uma intervenção relevante nos destinos do mundo, por parte de um bando de jovens paulistas inocentes -mas agravado pela incompreensão total do que seria Oswald de Andrade ou a possibilidade de um modernismo brasileiro que contasse além da repulsa que a suposta beleza do Rio causava no autor) contado paralelamente às descobertas sobre as culturas pré-cabralinas, ensinava novos modos de sentir-se o estar no mundo aqui.
(...)"

"Eu o citei nominalmente numa letra de música (numa entrevista em que lhe perguntaram sobre a citação em "O Estrangeiro" -"O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara: pareceu-lhe uma boca banguela"-, ele disse, meio rindo, que tinha escrito essas palavras havia muito tempo); citei-o indiretamente em pelo menos duas outras: o "num claro instante" de "Um Índio" (diretamente do texto sobre a USP) e "amor-mentira" de "Tem que Ser Você" (aprendi com ele que os nhambiquara chamam os atos homossexuais praticados pelos jovens da tribo de "amor-mentira").
Ele possivelmente não gostaria de se ver citado por um músico pop. E brasileiro. Vai saber. Ele cultivava um certo amor pelo Brasil, a terra onde suas descobertas inaugurais surgiram, onde seu trabalho de etnógrafo fez possível suas investidas teóricas e mesmo filosóficas. Mas o título do seu primeiro livro não é tão carregado de ternura quanto de desprezo e desesperança (e aqui me lembro de uma quarta citação que fiz dele em canção: a observação, em "Fora da Ordem", de que "aqui tudo parece que é ainda construção mas já é ruína"): o Brasil é figura grande na geografia de "Tristes Trópicos", mas está incluído numa visão sombria que cobre toda a zona tropical ao redor do globo.
Eu o vi uma vez na BBC falando inglês excelente com perfeito sotaque francês e exibindo um caleidoscópio para ilustrar sua ideia de estrutura e do número finito de possibilidades de arranjo coletivo do homem. Ele tinha uma cara muito bacana de judeu bondoso mas irônico, uma maravilhosa cara de quem tem vocação para a longevidade (coisa de que ele antes se queixava com modesta ironia, mas que a mim me parece uma virtude). Em suma, eu gostava dele. Gostava de pensar que ele, tão distante e tão próximo, estaria ainda sempre por aí, como minha mãe e Niemeyer, o que me dá uma espécie muito tranquila de saudade.
Peço desculpa aos estudiosos sérios por tratar com tamanha familiaridade uma figura tão respeitável. Mas peço essas desculpas por causa do carinho que sinto e sempre senti por ele. Mesmo no seu grande esnobismo contra o esnobismo de massas."

(Artigo "A visão do Brasil que está em "Tristes Trópicos" esquentou meu coração", Ilustrada, Folha de S. Paulo 04/11/2009)

Minha homenagem ao autor que me complica e me confunde, deixando tudo muito claro.



Escrito por Ana Amalia às 22h36
[] [envie esta mensagem] []



Eu sou neguinha?

Eu tava encostada, ali minha guitarra
No quadrado branco-vídeo-papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais
Que coisa à toa, boa boa boa boa boa

Eu tava com graça...
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na Bahia
No Beaubourg, no Bronx, no Brás
E eu e eu e eu e eu
A me perguntar:

Eu sou neguinha?
Era uma mensagem, lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia

Eu me perguntava...
Era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não
Tava perguntado:

Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?

Eu tava rezando ali, completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo
Totalmente terceiro mundo
Terceiro milênio
Carne nua nua nua nua nua

Era tão gozado...
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim túnel, becos sem saída

Eu era a saída, melodia, meio-dia
dia dia dia
Era o que eu dizia: eu sou neguinha

Mas e outras coisas via um moço forte
E a mulher macia dentro da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
E o que a poesia e a profecia não vem
mais vem vem vem vem

É o que parecia
que as coisas conversam
Coisas supreendentes
Fatalmente erram, acham solução

E que o mesmo signo que eu tento ler e ser
É apenas o possível ou o impossível
em mim em mil em mil em mil
e a pergunta vinha :

Eu sou neguinha?

(Eu sou neguinha? Vanessa da Mata cantando Caetano Veloso) 

 Uma das artes mais lindas que eu vi esse ano



Escrito por Ana Amalia às 13h21
[] [envie esta mensagem] []



entre caeiro e alanis não há entre nenhum

One day I’ll find relief
I’ll be arrived and I’ll be a friend to my friends who know how to be friends

One day I’ll be at peace
I’ll be enlightened and I’ll be married with children and maybe adopt

One day I will be healed
I will gather my wounds forge the end of tragic comedy

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

One day, my mind will retreat, 
and I’ll know god and I’ll be constantly one with her night dusk and day

One day I’ll be secure, like the women I see on their 30th anniversaries

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

Ever unfolding
Ever expanding
Ever adventurous and torturous
But never done

One day, I will speak freely
I’ll be less afraid
And measured outside of my poems and lyrics and art
One day I will be faith-filled
I’ll be trusting and spacious authentic and grounded and whole

I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete
Incomplete - Alanis Morissette


Escrito por Ana Amalia às 13h45
[] [envie esta mensagem] []



Pessoa Caeira

Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.  
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.  
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.

Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.  
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.

 


 

Pouco me Importa

 

Pouco me importa.
Pouco me importa o que? Não sei: pouco me importa.



Escrito por Ana Amalia às 12h42
[] [envie esta mensagem] []



Experimentando Gertrude

I

Jamais te direi o que se diz em uma situação como essa pois a situação não é essa então jamais eu direi. Quando é essa a situação as pessoas o dizem mas como agora não é essa a situação não se pode dizer. Se fosse diria. Mas não é não digo.

 

 

 

II – Ela ficaria orgulhosa

 

As pessoas sabem as coisas. Elas acham que não sabem das coisas mas elas sabem. Elas sabem que se fecharem os olhos e sentirem elas saberão o que está certo ou o que realmente sentem. Mas daí não fecham os olhos e então não sabem e não sentem. Ou fecham e fingem que não sabem e não sentem mas lá no fundo sabem que sentem. E aí quando tudo passa e a situação que sabiam que chegaria chega ou o sentimento que sabiam que é sentido é sentido elas pensam que já sabiam ou já sentiam esse saber ou esse sentimento que sabiam e sentiam. Pensam e então sabem e sentem que já sabiam e já sentiam.

E para que serve? Para as pessoas saberem e sentirem que as pessoas sabem e sentem as coisas. Se elas não soubessem elas não saberiam mas elas sabem e se elas não sentissem elas não sentiriam mas elas sentem. E aí eu pergunto então qual é a diferença entre saber e sentir. A diferença é que o que as pessoas sabem elas sabem e o que as pessoas sentem elas sentem. Mas as pessoas sabem o que sabem e sabem o que sentem e elas sentem o que sentem e sentem que sabem o que sentem e sabem. Assim que a diferença é que há o que as pessoas sabem e o que as pessoas sentem mas elas só sabem o que sentem e só sentem o que sabem.

Eu sei disso porque eu sinto isso e é assim que as pessoas sabem e sentem. E sim você sabe do que eu estou falando. Você sabe e sentiu isso que eu sei e sinto.

 

 



Escrito por Ana Amalia às 01h05
[] [envie esta mensagem] []



Se não fosse teu abraço eu compraria um moleton*

Para Carol e Felipe.

Que seríamos sem as palavras em vão

Sem filmes sem conteúdo

Sem amizades supérfluas

que se fantasiam de eternas.

Sem um mundo alheio às nossas vontades

Sem um amor correspondido pela metade

pela metade do sexo puro

pela metade da memória apagada daquilo que poderia ter sido

e não foi,

e pela metade do não querer mais que aquilo

e só.

 

Que seríamos se todos amores fossem correspondidos

Todas as amizades verdadeiras

e de infância

 

Que seríamos?

 

Celebro a futilidade a efemeridade

e a não complexidade cotidiana.

Celebro a rapidez

a troca, a impermanência, a inconstância e

talvez

o desafeto. O desafago. O desamor.

 

Arrumemos as mesmas confusões, arrumemos.

Arrumemos confusões que sejam as mesmas.

Não nos arruinemos em novos problemas,

em novas indagações, olvidemos.

 

Para que leio teoria social

se à noite me contento com Legalmente Loira

Por que mulheres se fazem independentes

se querem ser apropriadas

ou se não querem, conseguem se fingir

ardentes dominadas

 

Esse é o meu tributo

ao vazio momentâneo

às palavras ditas em vão

às não ligações correspondidas.

À futilidade contemporânea

e ao nada nada nada nada nada nada

que nos conforta

bem como aquele moleton velho

desbotado gasto macio e seu.

 

 

*frase de Ana Carolina e Totonho Villeroy, A Câmera que Filma os Dias



Escrito por Ana Amalia às 01h59
[] [envie esta mensagem] []



I've got an idol

"What was the use of not leaving it there where it would hang what was the use if there was no chance of ever seeing it come there and show that it was handsome and right in the way it showed it. The lesson is to learn that it does show it, that it shows it and that nothing, that there is nothing, that there is no more to do about it and just so much more is there plenty of reason for making an exchange."

(A mounted umbrella - Gertrude Stein)



Escrito por Ana Amalia às 01h03
[] [envie esta mensagem] []



Enquanto fazemos poesia

"(...) De certo modo, também o poema consiste num objeto artificial. Não se trata, evidentemente, de um objeto artificial material, como a folha de papel sobre a qual ele se encontra escrito, mas de um objeto formal, de um objeto-tipo, como uma palavra. É assim que, como uma palavra, ele pode encontrar-se em diferentes meios ao mesmo tempo: nos vários exemplares de um livro, em revistas, em computadores, na internet, em gravações sonoras etc.
A mais importante característica a distinguir esses dois tipos de objetos artificiais de caráter formal que são as palavras e os poemas parece-me ser o fato de que, ao contrário de uma palavra, um poema enquanto poema não desempenha qualquer função sintática ou semântica na língua a que pertence. Na verdade, o poema enquanto poema é um objeto artificial de caráter formal desprovido de qualquer função determinada. Ora, um objeto destituído de função determinada é, literalmente, um objeto que não serve para nada.
Normalmente, não damos atenção a objetos que não servem para nada. Por que damos atenção a um poema enquanto poema? Coube a Kant responder a essa pergunta, descrever a beleza como uma finalidade sem fim. O poema enquanto poema é um objeto no qual reconhecemos a forma da finalidade sem, entretanto, reconhecermos o fim, a função que daria o seu conceito. Por isso mesmo, o poema enquanto poema é um objeto que, como diz Kant das ideias estéticas, 'constitui uma apresentação da imaginação que dá muita ocasião ao pensamento, sem que nenhum pensamento determinado, nenhum conceito, possa ser-lhe apropriado e que, consequentemente, não é completamente alcançável ou tornado inteligível por nenhuma linguagem'."
 

Trecho de Antonio Cicero - Enquanto fazemos poesia - Ilustrada, Folha de S.Paulo 11/07/2009.

Fico feliz quando me deparo com respostas às minhas inquietações. E como eu sempre digo: e eu o que eu mais quero ver é beleza no mundo.



Escrito por Ana Amalia às 23h34
[] [envie esta mensagem] []



Não Vá Embora

(foto tirada em 04/07/2009, galeria Como Assim?!, Benedito Calixto)

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

(Não vá embora - Arnaldo Antunes / Marisa Monte)



Escrito por Ana Amalia às 20h14
[] [envie esta mensagem] []



A veces, yo quiero moverte, a veces, yo quiero romperte
A veces, yo me vuelvo loco, a veces, ¡ay! si no te toco
A veces, voy pateando el piso, a veces, sólo me deslizo
A veces, a veces se ceba, y entonces, ella es mi problema...


Y son las cosas del destino, y son las cosas de la suerte
voy a salir nena a buscarte y vas a ver cuando te encuentre.


A veces, yo quiero moverte, a veces, yo quiero tenerte
A veces, ella es la locura, a veces, sólo ella me cura.
Y son las cosas del destino, y son las cosas de la suerte
voy a salir nena a buscarte y vas a ver cuando te encuentre.
A veces, me muevo, a veces, me muero...
Cuando decís te quiero, cuando decís te amo...

A veces - Los Piojos

Para escutar comendo doce de leite, nesse frio que chegou.

À nossa latinidade, com orgulho.



Escrito por Ana Amalia às 15h01
[] [envie esta mensagem] []



pérolas da semana

"Resolvi sair do armário, agora eu sei: eu sou hétero!"

"Anda logo!!!" - depois de me passarem a mão na bunda em meio a Haddock Lobo.

"sometimes you need to spoon and theres no bodys around!!"



Escrito por Ana Amalia às 02h18
[] [envie esta mensagem] []



me encantan los argentinos!

Ana Amália diz:

e olha meu blog tb!

Сharles diz:

a ver!

Сharles diz:

I can see barely naked vegetarian people...

Charles diz:

Abismado



Escrito por Ana Amalia às 22h25
[] [envie esta mensagem] []



“Ti a mim, me a ti, e tanto”*

Era Dia das Mães.

Com frase do padre pop no Domingão do Faustão, me decidia pela estética profunda. “Há que se berrar do alto de um prédio aquilo que nos foi sussurrado ao ouvido”, dizia.

Depois de cozinhar um recém inventado molho caseiro para o tradicional miojo, composto de tomates-cereja (favoritos do falecido e quase inintroduzido avô), alho, cebola desidratada, ervas finas, com muito manjericão, banhados em um azeite extra-virgem português, e de ter me orgulhado de mim mesma em voz alta, recebendo como resposta o fato do citado sucesso gastronômico ser herança congênita da avó também portuguesa como o azeite (aquela mesma que nomeou-me), tirei o plástico que embalava o novo livro.

Abri. Página 123, Guimarães Rosa:

Partida do Audaz Navegante.

(*in: Primeiras Estórias).

 

 



Escrito por Ana Amalia às 18h42
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros
MSN -



Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Eu e Vocês
Vox
Cronópios
Brincando de Deus traduções
Blog e site do Muraah
la vida de un inglés en sudamerica!
Blog da Hermila