Se não fosse teu abraço eu compraria um moleton*
Para Carol e Felipe. Que seríamos sem as palavras em vão Sem filmes sem conteúdo Sem amizades supérfluas que se fantasiam de eternas. Sem um mundo alheio às nossas vontades Sem um amor correspondido pela metade pela metade do sexo puro pela metade da memória apagada daquilo que poderia ter sido e não foi, e pela metade do não querer mais que aquilo e só. Que seríamos se todos amores fossem correspondidos Todas as amizades verdadeiras e de infância Que seríamos? Celebro a futilidade a efemeridade e a não complexidade cotidiana. Celebro a rapidez a troca, a impermanência, a inconstância e talvez o desafeto. O desafago. O desamor. Arrumemos as mesmas confusões, arrumemos. Arrumemos confusões que sejam as mesmas. Não nos arruinemos em novos problemas, em novas indagações, olvidemos. Para que leio teoria social se à noite me contento com Legalmente Loira Por que mulheres se fazem independentes se querem ser apropriadas ou se não querem, conseguem se fingir ardentes dominadas Esse é o meu tributo ao vazio momentâneo às palavras ditas em vão às não ligações correspondidas. À futilidade contemporânea e ao nada nada nada nada nada nada que nos conforta bem como aquele moleton velho desbotado gasto macio e seu. *frase de Ana Carolina e Totonho Villeroy, A Câmera que Filma os Dias
Escrito por Ana Amalia às 01h59
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