Desculpas
Vi que esse meu último post tem quase dois meses de distância do anterior... Não tinha idéia que tanto tempo se passou. Realmente, minha vida tá corrida. Prometo que isso vai acabar, escreverei com mais frequência.
Mas sabe o que é, quando tantas coisas acontecem e não temos tempo nem pra refletir? Isso é bom, não é?
Porém, quando a reflexão vem, vem aos montes... então preparem-se, pois é assim que minha cabeça funciona. Ainda bem que quando não tenho palavras estruturadas tenho o Zeca para falar por mim! Essa música de baixo é algo que me surpreendeu por completo, sabe quando nos deparamos com algo que nã... enfim... obra de arte. Cria em mim orgulho de ser fã.
Só uma coisa... tem quase três meses que não vou para "casa". Acho que minha casa mudou de lugar! Champagne para comemorar! Um dia volto pra lá... Espero que quando voltar muito esteja diferente, e o que estiver igual, que seja aquilo mesmo que me faz voltar. Será? Espero que sim, afinal, preciso poder me defender quando me dizem que lá é pasmaceira!
Há coisas, porém, que nunca mudam. Será?
Escrito por Ana Amalia às 00h48
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Nega Neguinha
Nega nega neguinha
nega nega neguinha
nem zumbi impedia você de ser minha.
mamãe minha mãe mainha
na senzala minha sala
tenho a proteção de oxalá
ânsia de iansã rainha
sou o teu sinhô sinhá
vem bater fazer iaiá
um batuque na cozinha.
nega nega neguinha
nega nega neguinha
nem zumbi impedia você de ser minha.
vem da capo capoeira
ao pé metade inteira
no pelô meu pelo ouriça
missa quimbanda poesia
aruandê aruandá
vou cantando que cantar
é uma carte de alforria.
ex-cravo agora rosa
capacho do teu capricho
samba lelê na lambada
rei do congo na congada
a cara já é de dor
deixa ser teu salvador
queira ser minha bahia.
zumbi tá lá na roda lá no jongo
zumbi tá lá na roda lá no jongo
bate palma zumbi lá na quizumba
bate palma zumbi batmacumba
(Zeca Baleiro)
Escrito por Ana Amalia às 23h51
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Primeiros Duetos*
*escritos em co-autoria com Eduardo Dullo. Vila Madalena, São Paulo.
Se um homem soubesse
o que sei
me pegaria pelos cabelos,
a mão deslizando pela nuca
como nunca, num apelo,
pediria eu.
Pediria sim um chamego.
Chamego eu tive. Insisto.
Persisto. Afasto. Me nego...
Mas o que realmente quero
é sim um misto
de branca amassada com negro.
Se um homem soubesse
o que sei
faria tudo ao contrário
lembraria o nosso aniversário,
me beijaria no sono,
acalmaria meu transtorno,
afastaria do meu corpo toda lei,
seria mais meu que de outrem,
não seria meu só no vai-e-vem.
Falar de Amor
De amor não se fala,
se afoga a alma
arranhando o cello
no canto da sala.
Na hora H se cala,
se arma o duelo
da mão, a palma
no rosto. Na vala,
o corpo. Deitado. Nu.
Sal a gosto.
O cara é menor que ela! E ela tem 1,50m (quase).
A calça, amarelada
pra baixo, como tudo
que salta para fora
dela. A blusa, embora
rosa, não perfuma.
Disforme, minha desforra.
Vai pra casa.
Casa com o nanico
E se afoga!
Escrito por Ana Amalia às 00h29
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a revelação:
Um verdadeiro amor nunca morre.
Escrito por Ana Amalia às 01h13
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Ode ao Não
Não se aproxime,
já está perto demais.
Uma distância perfeita.
Fique aí.
Não te quero aqui.
Já não queria antes,
e não quero nunca mais.
Não eu digo
e três vezes repito:
aqui, não!
Passa já.
Vai para lá.
Se chegar perto eu grito,
se insistir, vomito,
e mostro aquilo
que em nenhuma mulher
alguém consegue ver.
Escrito por Ana Amalia às 01h01
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através será
Atravessou
através ou por baixo.
Atravessei
através hei de seguir
seguindo
Atravessarei
através serei comigo.
Atravessaria
através eu ria
de meu umbigo:
tão meu eu,
que a mim afundaria,
estaria atrás, mas...
atravessará.
Escrito por Ana Amalia às 00h49
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Complete
Há flores brancas ao lado da minha janela e cortina.
Em baixo, tenho dicionários em quatro línguas.
A casa está limpa, clean, limpia.
A minha casa, Dionísio, te lamenta e te evita:
está pronta, porém liberta.
Amiga, pacífica, incompleta por tua inexistência.
Estável assim.
Escrito por Ana Amalia às 00h44
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Na minha cama, só meu cheiro.
No sofá, dos outros.
Em meus livros só meus dedos.
Nas calças, os bolsos
com dinheiro do dedo dos outros.
Escrito por Ana Amalia às 00h40
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militância
Não comer carne é uma ideologia. Respeito, não violência, consicência do mundo. Diferença.
Escrito por Ana Amalia às 00h37
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Rimo porque existo.
Para tirar o cisco do olho
e acabar com o choro.
Escrito por Ana Amalia às 19h46
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Naturalismo à esmo
Meia suja
em teu pé
de unhas compridas.
Cheiro próprio
tão seu é
que, com o meu, briga.
Pêlo caído
e grudado
em minha parede.
Ralo entupido
Domingo acabado
Morro de sede.
Pois me suga,
além da saliva,
a importância devida.
Agora não virá mais:
sua presença me priva
da importância da vida.
Escrito por Ana Amalia às 19h45
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Império do meu efêmero (2)
Se Hilda crê que a coisa breve
a alma dos poetas não inflama,
contesto-lhe sem autoridade,
mas na identidade ruiva conjugada,
que não.
Discordo com veemência,
lembro-lhe que o que importa
é o que Dionísio diz em seu ouvido.
Efêmero suspiro rico em calor.
Calor, para mim, é o que inflama
e aquece a própria chama da vida.
Escrito por Ana Amalia às 19h45
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Lição de Etiqueta (1)
Nunca digas a uma moça
que em sua casa queres entrar.
Não a convides à cantina
e depois diga
que queres aquela noite,
e que dali não sairás.
Não fostes convidado:
o convite é teu.
O adeus foi dado,
respeito.
Contenha-te em tua carência,
em tua ausência de beleza
e excesso de má-educação.
Teu emprego é caro,
conheceste a Europa,
mas isso não basta.
O tempero é raro,
iguaria, ópio,
inexistente em tua casta.
Escrito por Ana Amalia às 19h43
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Olhando para frente
apenas o horizonte
linear, signo da profundidade e da perspectiva.
Se não temos definição, temos
ao menos, ilusória fixação.
Lugar tão estável
que quanto mais se aproxima,
de novo se distancia.
E esse seu movimento
de estar e não estar
ao alcance das mãos e dos olhos
me revela ao pensamento
que o futuro é simplesmente inatingível.
Escrito por Ana Amalia às 12h41
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I - Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé. De Ariana para Dionísio.
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas. Voz e vento apenas Das coisas do lá fora
E sozinha supor Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento Meu ouvido escutaria O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio. Porque é melhor sonhar tua rudeza E sorver reconquista a cada noite Pensando: amanhã sim, virá. E o tempo de amanhã será riqueza: A cada noite, eu Ariana, preparando Aroma e corpo. E o verso a cada noite Se fazendo de tua sábia ausência.
Hilda Hilst
Escrito por Ana Amalia às 12h22
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